🔬🚔 NÃO TESTAMOS VIDAS: os riscos dos estudos randomizados nas Ciências Policiais!
Neste contexto, os EXPERIMENTOS CIENTÍFICOS são fundamentais para a TESTABILIDADE de produtos, projetos e serviços públicos para que, através de EVIDÊNCIAS, seja possível COMPROVAR ou REFUTAR as HIPÓTESES e, à guisa da conclusão da pesquisa, transformar dados e/ou informações em CONHECIMENTO, amparado pelas CIÊNCIAS POLICIAIS (ramo das Ciências Humanas).
Para tanto, conhecer MÉTODOS DE PESQUISA é fundamental para aquela que deseja se apresentar como um CIENTISTA POLICIAL. Tais procedimentos podem ser comparados à uma espécie de ÓCULOS para o pesquisador pois, a partir do procedimento metodológico sedimentado, é possível produzir conhecimento universal, não enviesado por conjecturas e impressões de natureza exclusivamente pessoal ou baseados unicamente na experiência do pesquisador.
Há DIVERSOS MÉTODOS DE PESQUISA: Análise Estatística, Semiótica, Análise de Discurso, Policiamento orientado ao Problema... É fundamental que um pesquisador conheça MAIS DO QUE UM MÉTODO, permitindo que ele possa analisar criticamente o conhecimento produzido sobre OUTRA PERSPECTIVA.
Neste ensaio, exploramos uma metodologia específica. O ESTUDO RANDOMIZADO pressupõem análise de 2 amostras populacionais. De um lado, o GRUPO INTERVENÇÃO recebe o objeto de pesquisa propriamente dito. Do outro lado, o GRUPO CONTROLE não recebe a ação, mas é estudado através da oferta de um "placebo", onde é levado a crer sobre estar nas mesmas condições da população anterior. Tal modal de produção de conhecimento científico é muito propalado nas CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, principalmente na medicina e na farmácia - focando a produção de medicamentos.
Considerando tal explicação, o uso deste método no âmbito das CIÊNCIAS POLICIAIS é extremamente diminuto e reduzido. Veja, considerando que o objeto de pesquisa seja a oferta de qualquer tipo de modelo, programa ou atividade de policiamento; como podemos justificar um PLACEBO para a população que não irá receber DIRETAMENTE essa iniciativa? Ademais, as condições de VARIÂNCIA DE TEMPO E DE ESPAÇO são determinantes resolutivas da causalidade do crime. Se aplico, num mesmo bairro, a intervenção por 6 meses e, após, deixo de aplicá-la, não significa cientificamente que a segurança melhorou ou piorou exclusivamente por conta da intervenção (alteração das condições econômicas, geopolíticas, sociais e, até mesmo, climáticas, podem ter contribuído). O mesmo vale para a aplicação simultânea das ações de controle e de intervenção em locais diferentes.
EDUCAÇÃO, SAÚDE e SEGURANÇA PÚBLICA são necessidades prioritárias em qualquer sociedade contemporânea. Em cada eixo deste triângulo, NÃO EXISTE INTERVENÇÕES SOLITÁRIAS para a busca de soluções. A construção de mais escolas, com professores qualificados e bem remunerados, mitigar mas não resolverá o problema educacional, que passa também por uma maior assunção de responsabilidades da família neste processo. Quanto a saúde, hospitais e médicos de excelência não resolverão o problema de uma sociedade que possui hábitos de vida sedentários e doenças psicológicas exponenciais.
Resumindo: inserir policiais ou programas de policiamento em determinado tempo e espaço reduz, em curtíssimo prazo, as demandas de segurança pública. Uma persecução criminal eficiente, bem como medidas de prevenção primária que reduzam a oportunidade do crime, são as intervenções mais efetivas e resilientes para a redução do crime. E, por favor, NÃO PODEMOS PROMETER POLICIAMENTO E NÃO OFERTAR NADA AO CIDADÃO! Enquanto os médicos têm um Comitê de Ética que esmiúça criteriosamente qualquer tipo de ESTUDO RANDOMIZADO, nos temos o dever de SERVIR A SOCIEDADE; alguns com o SACRIFÍCIO DA PROPRIA VIDA. Pense nisso antes de enganar a população... FOCO NA MISSÃO!
📓 AUTOR:
Eduardo MOSNA XAVIER (Major da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Doutor em Ciências Policiais pelo CAES e Doutor em Educação pela USP)
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