👁🚔SUPERANDO TENDÊNCIAS MIDIÁTICAS ENVIESADAS: O impacto de recortes temporais não científicos na propagação da insegurança pública!
Ademais, o cálculo apresentado refere-se a uma METODOLOGIA própria, desenvolvida pelo periódico em questão. Tal métrica considera, no mesmo bojo, o roubo e furto de veículos e o de outros objetos, além da extorsão mediante sequestro e o latrocínio. Tais delitos são COMPLETAMENTE DISTINTOS, tanto no bem jurídico tutelado (vida e/ou patrimônio) como, também, na própria SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA gerada para a própria vítima e para as pessoas que moram no local ou leêm a matéria.
Como exemplo, o aumento de 175% na soma desses 6 crimes na Rua Monte Pascal, na Vila Leopoldina, pode causar uma falsa impressão de TERROR, criando a impressão equivocada de aumento de sequestros, roubos e latrocínios. Sem o mesmo destaque, a reportagem aponta que dos 22 casos registrados, 11 são de FURTO DE CELULAR, delito que, em inúmeras circunstâncias, é produto de notificação equivocada por conta da "vítima", no registro na Delegacia Eletrônica, enviesar eventuais perdas ou EXTRAVIOS deste tipo de aparelho por conta da cobertura do seguro ou, até mesmo, informar no Boletim o seu endereço e não o local onde, de fato, ocorreu o delito.
A ESTATÍSTICA CRIMINAL, considerando séries temporais e curva de tendências criminógenas, aponta a COMPARAÇÃO BIMESTRAL como a mais efetiva na análise de dados e informações para a aplicação de ativos operacionais na PREVENÇÃO E REPRESSÃO IMEDIATA. Em 60 dias, as DETERMINANTES DE CRIMINALIDADE, como os fatores econômicos e sociais, são claramente detectados, descartando efeitos deletérios provocados, por exemplo, pelas intempéries climáticas (p. ex.: em dias de chuvas, há redução de crimes contra o patrimônio praticados contra pedestres e em locais comerciais abertos).
Sob o escopo das CIÊNCIAS POLICIAIS, os ÍNDICES (eleição comparativa de elementos combinados para uma determinada finalidade), expressam uma PERCEPÇÃO ENVIESADA sobre a REALIDADE percebida em determinado tempo e espaço. Como exemplo, se crio o ÍNDICE DE VIOLÊNCIA URBANA, somando apenas os crimes de homicídio e latrocínio, reputo que em determinado local onde não ocorra tais delitos, que NÃO HÁ VIOLÊNCIA! Tal hipótese é permeada por uma LÓGICA PERVERSA, já que a AMBIÊNCIA (relação das pessoas com um determinado ambiente), determina diretamente o impacto dos crimes em para aquela população em particular, baseado em sua CULTURA LOCAL (o roubo de celulares pode gerar maior insegurança em determinados bairros do que em outros).
Reforço: o analítico temporal adequado para se pensar em SEGURANÇA PÚBLICA são os INDICADORES, ou seja, a avaliação de cada tipo de conduta criminosa, conjecturando o chamado MODUS OPERANDI, ou seja, o planejamento, a preparação e a prática delitiva em determinado TEMPO e ESPAÇO. Combinar crimes desproporcionais num índice sem estudos científicos longitudinais (testados e comprovados por longos períodos) NÃO É FAZER CIÊNCIA, É INFLUENCIAR A OPINIÃO PÚBLICA!
Enfim, a culpa pelo crime não é da polícia, do cidadão ou da imprensa! É DO LADRÃO! Não podemos tirar tal inquestionável paradigma de nossas vistas, impressões e, principalmente, OPINIÕES! Perdemos muito tempo elegendo outros inimigos e deixamos de concentrar esforços em PREVENÇÃO PRIMÁRIA (medidas da população para evitar a exposição ao crime - como não deixar o veículo estacionado nas vias públicas, entre 20h00 e 06h00) e AÇÕES COORDENADAS POR COLABORAÇÃO (como a integração e os esforços inteligentemente combinados entre todas as Forças de Segurança e a Sociedade para compartilhar dados, informações e atividades).
A ESTATÍSTICA ENVIESADA gera um resultado para além do retorno financeiro pela venda da notícia e do dano de imagem e de credibilidade para determinadas instituições eleitas como "inimigas"! Propaga uma FALSA REALIDADE, que deturpa a HONRA de profissionais e de corporações que se dedicam, 24 horas por dia e 7 dias por semana, exclusivamente para SERVIR E PROTEGER A POPULAÇÃO PAULISTA! CUIDADO COM O QUE FALA E ESCREVE! Afinal, uma declaração é como um tiro: depois de efetuado, não pode voltar atrás! PENSE NISSO! FOCO NA MISSÃO!
📓AUTOR
Maj PM Eduardo MOSNA XAVIER (Coord Op do 4° BPM/M, Doutor em Ciências Policiais e Doutor em Educação pela USP)
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